Voilà! O primeiro post português e começo logo com uma palavra francesa. Mas quando me apetece, apetece-me. Visto que este é o meu blog, faço dele o que quiser e ponto final parágrafo.
Há pouco tempo estive a descarregar as fotos de Londres do meu telemóvel para o computador. Sim, é verdade fui a Londres, Inglaterra.
Contudo, decidi não postar nada sobre Londres porque: 1) Ia demorar muito, muito, muito tempo a escrever; 2) Ia ficar, consequentemente, bastante extenso; 3) Nunca arranjaria palavras para descrever algo de tão maravilhoso que se passou naquela semana final de Agosto; 4) Contei a quem me interessava contar e a quem merece ser contado; 5) Quem contar sabe quem é, quem não sabe paciência; 6) Lá aprendi a manter mais a minha privacidade e há memórias que ficam só nossas, lugares que só por nós foram tocados naquele segundo, naquele momento da história. Por isso, as memórias de Londres estão aqui, na minha cabeça, e assim ficarão.
Por segundos esbocei um sorriso e relembrei-me de uma frase de um dos meus filmes de animação favorito, "O Príncipe do Egipto". Não que seja religiosa mas há uma espécie de ideia no filme que me agrada imenso. Basicamente, é referido que alguém pode muito bem ter o poder de nos tirar tudo, fazer o que quiser das nossas vidas mas nunca nos pode tirar o que nos vai na cabeça. Nunca ninguém nos pode tirar as nossas memórias, pensamentos e ideias. No filme falava-se em fé. Contudo, visto que não acredito nem deixo de acreditar na presença de Deus porque nunca o vi. Muitos crentes podem chamar-me o que quiserem mas sou uma pessoa que acredita naquilo que vê, que estuda, analisa para ter uma certeza lógica das coisas.
Isto tudo para dizer que essa ideia de ninguém nos poder tirar as ideias, pensamentos, memórias [pelo menos até agora ninguém
oficialmente o fez] dá-me sempre uma razão para ficar mais calma, tranquila e feliz.
A verdade é que muito pode acontecer de um dia para o outro. Poder ter esse poder é importante. Uma coisa que nunca tinha entendido realmente mas quando fui a Londres entendi, nem sei bem como.
Outro facto curioso é que naquela curta semana em que lá estive senti-me muito mais inglesa que alguma vez me senti portuguesa por terras lusas. Senti que finalmente estava em casa. Agora, pergunto-me...como raio é isto possível?! Com consegue uma semana facilmente superar quase 17 anos de uma vida?! E não digo isto por dizer...também estive em Roma e não foi o mesmo...
Quase [não estou para fazer as contas exactas] 17 anos de uma vida a sentir que não pertencia e afinal talvez não. Não estou a dizer que tudo lá seja magnífico mas sinto-me de certeza mais em casa do que na minha própria casa.
Por outro lado, o facto de conseguir comunicar também ajudou. Mas o incrível é que utilizar sotaque americano lá era quase impossível...felizmente consegui apanhar o sotaque britânico facilmente. E quando estava lá...mas do que tudo, senti-me livre! Livre dos olhares da sociedade, livre dos comentários mesquinhos, livre das pessoas chatas, livre de ignorantes!! Finalmente livre como nunca me tinha sentido!!!
TOP OF THE WORLD!!Deu-me uma vontade louca de correr pelo Hyde Park, andar de bicicleta, meter conversa, apanhar um comboio no meio do nada. Viver lá para aproveitar estas coisinhas básicas. Para viver a vida sem ter pessoas a apontar dedo por nos vestirmos diferente, por pensarmos diferente, por gostarmos de gostos diferentes.
Lá nunca senti a medo de histeria quando via alguma coisa que gostasse, de sorrir quando me apetecia, de me vestir mal, de dizer o que penso. Ninguém olhava para o lado ou dizia coisas como "Importa-se de ser menos histéria sff?!" ou "Parece que é parva!!". Porque havia leis claro para não incomodar os outros e nunca, NUNCA senti que as tivesse que quebrar. Sempre me senti em casa. Os londrinos, pessoas mesmo educadas mas directas e sarcásticas, exactamente como eu gosto. Nunca lhes escapava um "Thank you" ou "Excuse me" ou "I'm so sorry" ou "Are you all right, love?!". Gostei particularmente de ouvir a última. xD
Aqui parece que estou numa prisão a querer sair, gritar...nunca consigo sair. Finalmente vi o mundo e posso ser
livre!
O pior foi voltar. Sentir que me tinham aprisionado de novo. Tenho de voltar a fazer o que todos fazem. Voltar a ficar aprisionada.
Assim, revendo as fotografias e as memórias lembrei-me do quão bom foi. Parece que me deixaram cair de novo no fundo e não há maneira de subir. Haverá, haverá... só assim é que me consigo acalmar para viver cada dia.

[photo taken by me, myself & I - London, 2009]
[To be continued...]
Nota: A continuação deste post encontra-se em baixo em "Saudade & Nostalgia - anexo musical-"